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QUANDO A ANSIEDADE NÃO ESTÁ APENAS NA MENTE - O que o corpo está tentando comunicar

  • 26 de jun.
  • 5 min de leitura

"O corpo fala uma linguagem que a mente nem sempre compreende. E, muitas vezes, a ansiedade é uma dessas mensagens."



Há quem descreva a ansiedade como uma mente que não para. Pensamentos acelerados, preocupações constantes, cenários imaginados antes mesmo que aconteçam. E, de fato, a ansiedade costuma se manifestar através dos pensamentos.

Mas nem sempre ela começa ali.

Muitas vezes, quando olhamos com mais atenção, percebemos que a ansiedade já estava presente no corpo antes mesmo de ganhar palavras.


Ela aparece na respiração curta que mal alcança o abdômen, nos ombros permanentemente tensionados, na mandíbula contraída, no sono que não aprofunda e naquela sensação constante de estar preparada para alguma coisa, mesmo quando não existe nenhuma ameaça concreta diante de nós. É como se o corpo permanecesse em vigília. Como se estivesse esperando algo acontecer. Como se não conseguisse acreditar completamente que está seguro.


Durante muito tempo, a ansiedade foi compreendida principalmente como um fenômeno mental. Hoje sabemos que ela envolve todo o organismo. Corpo e mente não funcionam de forma separada. Aquilo que sentimos emocionalmente repercute no corpo, e aquilo que acontece no corpo influencia diretamente nossas emoções e pensamentos.


Quando vivemos experiências difíceis, especialmente ao longo da infância e das relações que ajudaram a formar nossa percepção de segurança, o sistema nervoso aprende estratégias para lidar com o mundo.

Algumas dessas estratégias são profundamente inteligentes, e elas surgem para:

-Nos proteger.

-Nos manter atentos.

-E nos ajudar a sobreviver em ambientes imprevisíveis, críticos, instáveis ou emocionalmente inseguros.


O problema é que o corpo nem sempre recebe a mensagem de que o perigo passou. E então ele continua funcionando como se precisasse permanecer alerta. Mesmo anos depois, mesmo em contextos diferentes, e mesmo quando a vida já não exige o mesmo grau de proteção.


É nesse ponto que muitas pessoas começam a perceber algo curioso: elas sabem racionalmente que está tudo bem, mas não conseguem sentir que está tudo bem. A mente entende, mas o corpo não acompanha.


Existe uma distância entre compreender e experimentar. E essa distância costuma gerar sofrimento.

Porque a pessoa se pergunta:

"Por que continuo ansiosa se minha vida está organizada?"

"Por que não consigo relaxar?"

"Por que sinto que algo ruim vai acontecer se não há nenhum motivo aparente?"


Essas perguntas nem sempre encontram resposta apenas no presente. Às vezes, elas apontam para experiências antigas que ensinaram o corpo a viver em estado de vigilância.


Na psicoterapia somática, compreendemos que o corpo guarda padrões de adaptação construídos ao longo da vida. Não como uma memória racional, mas como uma memória viva, expressa na postura, na respiração, na tensão muscular e na forma como o sistema nervoso responde ao ambiente.

Por isso, a ansiedade não é apenas um conjunto de pensamentos que precisa ser controlado. Ela pode ser um sinal e um convite para escutar aquilo que o corpo está tentando dizer.

  • Talvez ele esteja pedindo descanso.

  • Talvez esteja pedindo limites.

  • Talvez esteja pedindo presença.

  • Talvez esteja pedindo, pela primeira vez, a oportunidade de não precisar permanecer em defesa.


Vivemos em uma cultura que valoriza a produtividade, a velocidade e o excesso de estímulos. Aprendemos a responder mensagens rapidamente, a resolver problemas sem pausa e a preencher cada espaço vazio com alguma atividade.

Mas o sistema nervoso humano não foi feito para permanecer ativado o tempo todo, ele precisa de pausas e de segurança. Precisa de experiências que permitam ao corpo reconhecer que não é necessário estar em alerta constante.


Curar a ansiedade não significa eliminar todas as preocupações da vida. Significa ampliar nossa capacidade de reconhecer quando estamos seguros, de ajudar o corpo a sair, pouco a pouco, do estado de sobrevivência e reencontrar estados de presença, conexão e vitalidade.

Esse caminho não acontece através da força, nem exigindo que a mente pare de pensar. Acontece quando começamos a construir uma relação diferente com nós mesmas. Uma relação baseada em escuta, em gentileza, em consciência corporal, em respeito aos limites e ritmos internos.

Porque, muitas vezes, aquilo que chamamos de ansiedade não é apenas um problema a ser combatido.

É uma mensagem, e uma tentativa do organismo de comunicar que algo precisa ser visto, acolhido e compreendido. Que talvez exista uma parte de nós vivendo como se ainda precisasse sobreviver, mesmo quando a vida já oferece condições para algo diferente.


Talvez a ansiedade não seja apenas um excesso de pensamentos, ela seja o eco de um corpo que, por muito tempo, precisou permanecer atento para se sentir seguro.

E é por isso que a cura não acontece apenas quando entendemos nossa história, ela também acontece quando o corpo começa a viver novas experiências. Experiências de presença. De segurança. De apoio. De descanso. Experiências que permitam ao sistema nervoso descobrir, pouco a pouco, que já não precisa carregar sozinho o peso de estar sempre preparado para o pior.


Quando a ansiedade aparece, talvez a pergunta não seja apenas:

"Como faço para ela desaparecer?"

Talvez também seja:

"O que meu corpo está tentando me mostrar?"


Às vezes, a cura começa exatamente aí. No momento em que deixamos de lutar contra os sintomas e passamos a escutar, com mais presença e compaixão, a história que eles carregam.


Se você se reconhece nesse estado constante de alerta, saiba que não está sozinha. Muitas vezes, o corpo continua sustentando estratégias que um dia foram necessárias para proteger você.

E, em alguns momentos, pode ser importante ter um espaço seguro para compreender essas respostas com mais profundidade.

A psicoterapia pode ser esse lugar de escuta, onde corpo, emoções e história encontram espaço para serem acolhidos. Não para forçar mudanças imediatas, mas para que, pouco a pouco, o sistema nervoso descubra que já não precisa carregar tudo sozinho.

Porque há uma diferença entre sobreviver e viver.

E, às vezes, o caminho de volta à vida começa quando o corpo finalmente encontra segurança para descansar. 



Obrigada por chegar até aqui!

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Maria Cecília Galvão Brasil 

-Psicóloga Clinica | CRP 08/37354
-Psicoterapeuta de Mulheres
-Especialista em Psicoterapia Somática e Saúde Integral
-Especialista em Trauma e Estresse Pós-traumático
-Atendimentos Online | Brasil e Exterior

Para me conhecer melhor acesse: https://www.ceciliabrasil.com/psicologademulheres


O corpo guarda memórias que só podem ser libertadas quando encontramos um

espaço de confiança e presença."

(David Boadella)


7 comentários

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Convidado:
29 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Oi Maria Cecília, a cura deve sempre integrar o físico, o mental e o espiritual! Adorei o texto.😊

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Maria Cecília Galvão Brasil
14 de jul.
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Muito obrigada pelo carinho! 💖 Fico feliz que o texto tenha tocado você. Também acredito que a verdadeira transformação acontece quando corpo, mente e espiritualidade caminham em harmonia.

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Convidado:
26 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

😍

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Convidado:
26 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Fantástico esse texto.

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Maria Cecília Galvão Brasil
14 de jul.
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Muito obrigada! 💖 Fico feliz que o texto tenha tocado você. Que ele continue inspirando reflexões e cuidado consigo mesma. 🌷

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Convidado:
26 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Eu sei como é essa ansiedade! Obrigada pelo texto esclarecedor! Vou compartilhar. 😍😍

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Maria Cecília Galvão Brasil
14 de jul.
Respondendo a

Muito obrigada pelo seu carinho! 💖 Fico feliz em saber que o texto trouxe esclarecimento para você. Espero que ele possa acolher também outras pessoas ao ser compartilhado. Que, aos poucos, a ansiedade encontre espaço para dar lugar à calma e ao autocuidado.

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