top of page

POR QUE É TÃO DIFÍCIL SE ENTREGAR EM UM RELACIONAMENTO?

  • há 20 horas
  • 4 min de leitura

“Nem toda dificuldade de se entregar é falta de amor. Às vezes, é o corpo tentando proteger o que um dia já doeu.”


Nem sempre a dificuldade de se entregar em uma relação está na falta de sentimento. Às vezes, ela nasce em um lugar mais silencioso e profundo, um lugar onde o corpo ainda se lembra do que a mente já tentou deixar para trás.


Há mulheres que desejam o encontro, que querem construir, que se abrem em intenção… mas, no instante em que o vínculo começa a se aproximar de algo mais verdadeiro, algo dentro delas recua. Não é rejeição. Não é frieza. É um movimento quase imperceptível de proteção.


Como se o corpo dissesse, em uma linguagem que não passa pelas palavras: “com calma… isso já doeu antes”.


E, de fato, já doeu.


Em algum momento da história, talvez cedo demais, talvez repetidas vezes, o amor deixou de ser um lugar seguro. Não necessariamente por grandes acontecimentos visíveis, mas por pequenas ausências, desencontros, silêncios que feriram, presenças que não sustentaram. O que deveria acolher, por vezes, confundiu. O que deveria proteger, por vezes, faltou.


E o corpo aprendeu.


Aprendeu a observar antes de confiar.A conter antes de se entregar.A analisar antes de sentir.


Não como escolha, mas como forma de sobrevivência.


Por isso, hoje, mesmo quando existe alguém disponível, afetuoso, interessado, algo ainda permanece em estado de alerta. A mente pode até dizer “agora é diferente”, mas o corpo não responde no mesmo tempo. Ele carrega um ritmo próprio, feito de memórias que não se apagam com decisão.


Há um cansaço sutil nessa experiência. Um cansaço de querer viver algo leve e, ao mesmo tempo, sentir-se sempre um pouco em guarda. Como se relaxar fosse arriscado demais. Como se baixar as defesas significasse perder-se novamente.


E então surge a dúvida, tão comum quanto dolorosa: “o que há de errado comigo?”


Mas talvez não haja nada de errado.

Talvez haja apenas um corpo que aprendeu a se proteger muito bem.


Aquilo que hoje parece bloqueio, um dia foi cuidado. Aquilo que hoje parece distância, um dia foi tentativa de permanecer inteira diante do que ameaçava fragmentar. O corpo não cria defesas sem motivo. Ele organiza respostas a partir do que foi vivido, do que foi sentido, do que não pôde ser elaborado naquele tempo.


O problema não está em ter se protegido. Está em continuar vivendo como se o perigo ainda estivesse presente, mesmo quando o cenário mudou.


E é por isso que a entrega não pode ser exigida de si mesma. Ela não acontece por esforço, nem por convencimento. A entrega nasce quando o corpo começa, pouco a pouco, a reconhecer segurança novamente. Quando a presença do outro não invade, não pressiona, não exige. Quando há espaço para existir sem se diminuir. Quando o tempo interno é respeitado.


Mas, sobretudo, quando a relação consigo mesma se transforma.


Porque existe um ponto delicado nesse caminho: muitas vezes, a mulher tenta confiar no outro sem ainda conseguir se sentir segura dentro de si. E, sem essa base interna, qualquer movimento externo pode parecer instável demais.

Voltar para si, nesse contexto, não é se fechar para o amor. É, ao contrário, criar dentro de si um lugar onde o amor possa chegar sem encontrar apenas defesa.


É aprender a escutar o próprio corpo quando ele se contrai, sem forçá-lo a abrir. É reconhecer o medo sem se envergonhar dele. É perceber os próprios limites como linguagem, não como falha. É permitir que a experiência de se relacionar seja também um processo de reconexão interna.


Aos poucos, algo começa a mudar.


Não de forma abrupta, nem perfeita, mas sutil. Pequenos instantes de presença surgem onde antes havia apenas vigilância. Breves momentos de entrega aparecem entre um controle e outro. O corpo, antes rígido, começa a experimentar outras possibilidades.


E então, sem que seja preciso forçar, a confiança deixa de ser uma ideia e passa a ser uma sensação.


Não plena, não constante, mas suficiente para dar um passo.


Talvez amar, para muitas mulheres hoje, não seja mais sobre aprender a se abrir. Talvez seja sobre aprender a se sentir seguras o bastante para não precisar se fechar o tempo todo.


E isso muda tudo.


Porque, quando o corpo finalmente percebe que pode descansar na presença do outro, e, principalmente, na própria presença, o amor deixa de ser um campo de risco.


E passa, enfim, a ser um lugar possível de habitar.


Talvez, ao longo da leitura, você tenha reconhecido em si alguns desses movimentos. Talvez tenha percebido como o seu corpo ainda responde a antigos sinais, como se certas experiências não tivessem terminado completamente por dentro.


Isso acontece porque o sistema nervoso não distingue, com precisão, o passado do presente. Ele reage a pequenos gestos, tons, ausências ou aproximações como se estivesse, mais uma vez, diante do que um dia foi vivido como ameaça.


E, então, o corpo se protege.

Não porque você não quer amar,mas porque algo em você ainda não se sente seguro o suficiente para se abrir.


É nesse ponto que o caminho deixa de ser apenas racional e passa a ser um caminho de escuta.

Escuta do corpo.

Dos seus limites.

Dos seus tempos.


Um trabalho interno que não exige pressa, nem força, mas presença.


E, às vezes, esse caminho se torna mais possível quando não é percorrido sozinha.

Ser acompanhada, em um espaço seguro, pode ajudar o corpo a, pouco a pouco, reconhecer novas experiências de vínculo, confiança e presença.


Não para apagar o que foi vivido, mas para permitir que o novo não precise ser sentido como repetição do passado.

Porque, quando o corpo começa a se sentir seguro, a entrega deixa de ser um risco constante.

E passa a ser, aos poucos, uma possibilidade real.


🤍



Fico feliz que tenha chegado até aqui!

Se este conteúdo tocou você de alguma forma, comente e compartilhe com outras pessoas.

Espalhar consciência e afeto é sempre um bom caminho.


Gostou do texto e que continuar aprofundando o olhar? Siga acompanhando nosso blog e fique por dentro de todas publicações.

Aproveite e inscreva-se para receber as postagens diretamente no seu e-mail.


Maria Cecília Fagundes Brasil 

-Psicóloga Clinica | CRP 08/37354
-Psicoterapeuta de Mulheres
-Especialista em Psicoterapia Somática | Saúde Integral
-Especialista em Trauma e Estresse Pós-traumático
-Atendimentos Online

Para me conhecer melhor acesse: https://www.ceciliabrasil.com/psicologademulheres


O corpo guarda memórias que só podem ser libertadas quando encontramos um

espaço de confiança e presença."

(David Boadella)

1 comentário

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Convidado:
há 12 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

👏👏

Curtir
Logo Maria Cecília Psicóloga
PSICÓLOGA & PSICOTERAPEUTA
SAÚDE MENTE-CORPO | AUTOCONHECIMENTO | BEM-ESTAR FEMININO
ME ACOMPANHE NAS REDES
  • LinkedIn
  • Spotify
  • Instagram

© 2023 por Maria Cecília Fagundes Brasil. CRP 08?37354. Todos os direitos reservados. Criado orgulhosamente com Wix.com

flor da vida_edited_edited_edited.png
bottom of page