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JANEIRO BRANCO: saúde mental começa no vínculo consigo mesma

  • 23 de jan.
  • 3 min de leitura

“Antes de cuidar da mente, é preciso aprender a não se abandonar.”


Vivemos em uma cultura que nos ensinou a cuidar de tudo e de todos, menos de nós mesmas. Aprendemos a atravessar o cansaço sem pausa, a silenciar a dor para continuar funcionando, a sermos fortes mesmo quando o corpo pede descanso. Muitas vezes, essa força não nasce da presença, mas da necessidade de sobreviver emocionalmente.


O Janeiro Branco, ao nos convidar a refletir sobre saúde mental, abre um espaço importante para olharmos além das explicações racionais e das soluções rápidas. Ele nos chama a voltar para algo mais essencial e, ao mesmo tempo, mais negligenciado: a forma como nos relacionamos conosco quando erramos, quando cansamos, quando sofremos. Porque a saúde mental não se constrói apenas a partir do que fazemos, mas sobretudo a partir do vínculo interno que cultivamos todos os dias.


Como você se trata quando não dá conta? Essa é uma pergunta simples, mas profundamente reveladora.

O que acontece dentro de você quando:

falha,

se sente exausta,

perde o controle,

adoece emocionalmente?

Você se escuta ou se acusa?

Se acolhe ou se pressiona ainda mais?

Se oferece descanso ou exige produtividade?

Essas respostas revelam muito sobre a qualidade do vínculo que você estabelece consigo mesma.


Muitas mulheres carregam uma relação interna marcada pela autocrítica severa e pela sensação constante de insuficiência. Essa voz dura, que cobra, julga e invalida, raramente nasce de dentro. Ela é construída ao longo da vida, em ambientes onde não havia espaço para sentir, errar, ser frágil ou simplesmente precisar. Com o tempo, essa postura interna vai se infiltrando no corpo e na mente, transformando-se em ansiedade, culpa crônica, tensão, cansaço profundo, tristeza silenciosa e um distanciamento gradual de si mesma.

Nesse estado, o sistema nervoso não descansa e a saúde mental se fragiliza.


É importante lembrar que autocrítica não é autoconsciência. Enquanto a autocrítica fere, enrijece e paralisa, mantendo o corpo em estado constante de alerta, a autocompaixão sustenta, organiza e permite atravessar os desafios com mais integridade emocional. Autocompaixão não significa ausência de responsabilidade, nem falta de limites; ela é a capacidade de reconhecer a própria dor sem se abandonar por causa dela. É o gesto interno que diz, com verdade e presença: “Está difícil agora, e eu continuo aqui com você.”

Cultivar autocompaixão é um ato profundo de saúde mental e também de maturidade emocional.


O corpo, por sua vez, guarda a memória desse vínculo interno.

Ele registra:

  • as emoções não expressas,

  • os limites não respeitados,

  • os silêncios impostos,

  • as dores engolidas para não incomodar.


Por isso, o sofrimento emocional raramente se manifesta apenas nos pensamentos. Ele aparece como tensão, insônia, ansiedade, fadiga, dores difusas ou uma sensação persistente de vazio. Quando começamos a escutar o corpo com delicadeza, algo profundo acontece: inicia-se um movimento de reconciliação. 

  • Reconciliação com o ritmo próprio.

  • Com as emoções reais.

  • Com a necessidade de pausa.

  • Com a vulnerabilidade que nos torna humanas.


Cuidar da saúde mental é também reaprender a habitar o corpo como casa, e não como campo de batalha. É permitir que ele deixe de ser um instrumento de cobrança e passe a ser um território de escuta, abrigo e verdade.


Nesse contexto, torna-se impossível falar de saúde mental sem olhar para o feminino ferido que muitas de nós carregamos. Um feminino sensível, cíclico, intuitivo e relacional que, durante muito tempo, foi desvalorizado, silenciado ou associado à fraqueza. Muitas mulheres aprenderam a endurecer para sobreviver, afastando-se da própria delicadeza como estratégia de adaptação. No entanto, esse afastamento cobra um preço emocional alto, gerando desconexão interna e sofrimento psíquico.


Resgatar a saúde mental passa, necessariamente, por resgatar o acolhimento, a escuta interna e a permissão para sentir. Não como retrocesso, mas como maturidade emocional. O cuidado, a delicadeza e a presença não são luxos emocionais; são necessidades psíquicas fundamentais.


Talvez o convite mais profundo do Janeiro Branco não seja o de fazer mais, mudar tudo ou se consertar, mas o de se tratar melhor. Com mais gentileza, mais escuta e mais verdade. Porque a saúde mental não começa quando tudo está bem, mas quando, mesmo em meio às dificuldades, você escolhe não se abandonar.



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Espalhar consciência e afeto é sempre um bom caminho.


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Maria Cecília Fagundes Brasil 

-Psicóloga Clinica | CRP 08/37354
-Psicoterapeuta de Mulheres
-Especialista em Psicoterapia Somática | Saúde Integral
-Especialista em Trauma e Estresse Pós-traumático
-Atendimentos Online

Para me conhecer melhor acesse: https://www.ceciliabrasil.com/psicologademulheres


O corpo guarda memórias que só podem ser libertadas quando encontramos um espaço de confiança e presença."

(David Boadella)



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23 de jan.
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Excelente texto!

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PSICÓLOGA & PSICOTERAPEUTA
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