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A DOR SILENCIOSA DA MULHER EM UMA RELAÇÃO ABUSIVA

  • há 8 horas
  • 4 min de leitura

“Nem toda dor deixa marcas no corpo. Algumas se escondem na alma.”


Nem toda dor grita. Muitas mulheres aprendem a sofrer em silêncio, tentando nomear um incômodo que não aparece em exames, não deixa hematomas visíveis, mas pesa no peito, aperta a garganta e cansa a alma. Em uma relação abusiva, o sofrimento costuma ser assim: discreto por fora, devastador por dentro.


Essas relações raramente começam com violência explícita. Elas costumam nascer envoltas em encanto, promessas, intensidade e uma sensação profunda de ter finalmente encontrado um lugar de pertencimento. Aos poucos, quase sem que se perceba, o amor vai ganhando contornos de medo, o cuidado vira controle, e a mulher começa a diminuir para caber dentro do vínculo.


O abuso emocional e psicológico é, muitas vezes, sutil e progressivo. Ele se instala em pequenas desvalorizações, em silêncios punitivos, em críticas constantes, em olhares que intimidam, em palavras que confundem. Quando a mulher se dá conta, já está duvidando de si, dos próprios sentimentos e da própria percepção da realidade.

Este texto é um convite para lançar luz sobre essa dor silenciosa: compreender o que caracteriza uma relação abusiva, reconhecer seus sinais e entender por que tantas mulheres permanecem em vínculos que ferem.


O que é, de fato, uma relação abusiva?

Uma relação abusiva é aquela em que existe um desequilíbrio de poder. Uma das partes passa a exercer controle, dominação e manipulação sobre a outra, causando sofrimento emocional, psicológico, físico, sexual ou financeiro.


O abuso não se resume à agressão física. Muitas vezes, ele acontece de forma invisível, cotidiana e persistente. Pode aparecer como controle excessivo, desqualificação, chantagem emocional, ameaças veladas, isolamento social ou medo constante de desagradar. Com o tempo, a mulher pode começar a se sentir confusa, insegura e emocionalmente aprisionada.


O que define uma relação abusiva não é um episódio isolado, mas um padrão repetido de comportamento que corrói a autonomia, a autoestima e a liberdade da mulher.


Alguns sinais de que a relação pode estar sendo abusiva, aparecem com frequência na experiência de muitas mulheres:

  • O parceiro tenta controlar roupas, amizades, horários ou decisões

  • Há críticas constantes, ironias ou desvalorização do que ela sente e faz

  • Os conflitos quase sempre terminam com inversão de culpa, e ela sai se sentindo errada

  • Seus sentimentos são minimizados (“isso é exagero”, “você é sensível demais”)

  • Existe medo das reações dele: do silêncio, da raiva, das explosões

  • Ela começa a se afastar de pessoas importantes e a se isolar

  • A relação alterna entre momentos de tensão, explosão e fases de “lua de mel”, com promessas de mudança.

Esse ciclo, tensão, agressão (emocional ou física) e reconciliação, tende a se repetir e, na maioria das vezes, a se intensificar com o tempo.


Nem todo homem abusivo é igual, mas muitos compartilham alguns padrões emocionais e comportamentais:

  • Forte necessidade de controle e domínio

  • Ciúme excessivo e possessividade

  • Dificuldade de assumir erros e responsabilidades

  • Tendência a culpar os outros pelas próprias atitudes

  • Pouca empatia real pelo sofrimento da parceira

  • Dupla face: pode ser encantador socialmente e agressivo ou frio na intimidade

  • Uso de manipulação emocional, medo e culpa para manter o vínculo

É importante dizer com clareza: o abuso não acontece porque a mulher é fraca, difícil ou “provoca demais”. O abuso acontece porque alguém escolhe controlar, dominar e ferir.


Mesmo quando não há agressão física, o abuso deixa marcas profundas no corpo e na alma, como:

  • Queda da autoestima e da autoconfiança

  • Confusão emocional e dificuldade de confiar na própria percepção

  • Ansiedade, medo constante e hipervigilância

  • Sensação de impotência, aprisionamento ou esgotamento

  • Desconexão do próprio corpo, dos próprios desejos e necessidades

  • Culpa, vergonha e silêncio


Muitas mulheres permanecem em relações abusivas não por falta de força, mas porque estão emocionalmente enredadas, fragilizadas e com a percepção de si mesmas distorcida pelo próprio processo de abuso. Sair não é simples quando a identidade, a segurança emocional e a autoestima foram lentamente corroídas.


Amor não machuca, não humilha, não aprisiona


Relacionamentos saudáveis não são perfeitos, mas são seguros. Há espaço para diálogo, para diferença, para limites e para existir como se é. O amor não exige que uma mulher se diminua, se cale ou se apague para ser aceita.

Se uma relação faz você viver em estado de medo, tensão ou constante autovigilância, isso não é amor. É violência emocional.


Um recado importante para quem lê

Se você se reconhece em partes deste texto ou se pensou em alguém próximo saiba:

Você não está exagerando. 

Você não é sensível demais. 

Você não é a causa do abuso que sofre.


Nomear o que acontece é um passo fundamental para recuperar a própria dignidade, a própria voz e o próprio lugar no mundo. Buscar ajuda é um ato de coragem e de amor-próprio.


No Brasil, a Central de Atendimento à Mulher (180) funciona 24 horas e pode orientar sobre proteção e caminhos possíveis.


A dor pode ter sido silenciosa por muito tempo. Mas ela não precisa continuar sendo.



Fico feliz que tenha chegado até aqui!

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Espalhar consciência e afeto é sempre um bom caminho.


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Maria Cecília Fagundes Brasil 

-Psicóloga Clinica | CRP 08/37354
-Psicoterapeuta de Mulheres
-Especialista em Psicoterapia Somática | Saúde Integral
-Especialista em Trauma e Estresse Pós-traumático
-Atendimentos Online

Para me conhecer melhor acesse: https://www.ceciliabrasil.com/psicologademulheres


O corpo guarda memórias que só podem ser libertadas quando encontramos um

espaço de confiança e presença."

(David Boadella)



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PSICÓLOGA & PSICOTERAPEUTA
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