HAPTONOMIA: O contato com o bebê ainda no ventre
- 22 de set. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de fev.

"O amor pode ser sentido muito antes de ser visto.”
Quando eu morava no Rio de Janeiro, iniciei um novo grupo com gestantes. Era um tempo de pesquisa, escuta e descoberta. Eu buscava caminhos que possibilitassem aos pais entrar em contato mais profundo com seus bebês ainda no ventre, não apenas como expectativa, mas como presença viva.
Foi nesse percurso que encontrei a Haptonomia. Uma abordagem pouco conhecida no Brasil, mas de uma riqueza delicada e transformadora.
A palavra “hapto” tem origem no grego e significa “tocar”, “fazer contato”, mas não um toque qualquer. Refere-se ao gesto de se aproximar do outro com intenção, de estabelecer relação através do toque, de confirmar o outro em sua existência. O termo Haptonomia foi utilizado pelo holandês Frans Veldman para designar o que chamou de Ciência da Afetividade — um campo que investiga as leis que regem a dimensão afetiva do ser humano.
A base dessa ciência parte de um princípio profundo: todo ser humano tem o direito primordial de ser afirmado em sua existência e confirmado em sua afetividade desde o momento da concepção.
Embora a Haptonomia não se restrinja à gestação, é nesse período que seu trabalho se torna especialmente potente. O acompanhamento haptonômico acontece no pré-natal, no momento do parto e pode se estender até os primeiros anos de vida do bebê. Seu objetivo central é favorecer a construção de um vínculo afetivo sólido entre pai, mãe e criança, um vínculo que nasce do sentir e da presença, antes mesmo da palavra.
Ao longo do acompanhamento, os pais aprendem a estabelecer uma comunicação amorosa com o bebê ainda no útero. Esse contato precoce cria um campo de segurança emocional que favorece não apenas o nascimento, mas também o pós-parto e o desenvolvimento psíquico do bebê.
Mais do que preparar para o parto, a Haptonomia prepara para o encontro.
A comunicação se dá por meio do toque , um toque afetivo-confirmativo, realizado com pressão suave e intenção direcionada ao bebê. Pai e mãe tocam o abdômen da gestante e aguardam a resposta do bebê, que muitas vezes se manifesta por meio de movimentos sutis ou mais evidentes. O profissional que acompanha o processo orienta os pais a convidarem amorosamente o bebê, através da intenção e do posicionamento do toque, a realizar determinados movimentos.
Não se trata de provocar, mas de dialogar.
À medida que a sintonia entre os toques dos pais e as respostas do bebê se aprofunda, o vínculo afetivo se fortalece. Os pais passam a perceber o bebê como sujeito sensível, responsivo, já participante da relação. Mais do que pensar esse diálogo, é preciso senti-lo. É no campo da sensação e da afetividade que essa comunicação verdadeiramente acontece.
Essa prática favorece de forma especial a integração da tríade pai-mãe-bebê. Para o pai, que muitas vezes vivencia a gestação como algo mais distante corporalmente, o contato haptonômico oferece inclusão, presença e pertencimento. Ele deixa de ser espectador e se torna participante ativo do vínculo.
Para a mulher, o trabalho fortalece a percepção corporal e a consciência da presença do bebê. No momento do parto, essa conexão favorece confiança, entrega e maior percepção das dinâmicas corporais e emocionais envolvidas no nascimento.
Do ponto de vista somático, podemos compreender que o bebê já vive experiências afetivas intrauterinas. O útero não é apenas um espaço biológico, é também um ambiente emocional. A qualidade do vínculo, da presença e da confirmação afetiva pode influenciar a forma como esse bebê organiza sua experiência inicial de mundo.
O acompanhamento haptonômico costuma iniciar quando a mãe começa a perceber os primeiros movimentos do bebê, por volta de 18 a 20 semanas de gestação. No Brasil, ainda há poucos profissionais com formação nessa abordagem. Em países como Holanda e França, entretanto, é comum encontrar enfermeiros, obstetrizes, psicólogos e médicos capacitados na técnica, utilizando-a tanto em consultórios quanto em maternidades.
A Haptonomia nos lembra de algo essencial: antes de nascer, já somos relação. E talvez uma das maiores heranças que podemos oferecer a um filho seja a experiência de ter sido sentido, acolhido e confirmado em sua existência desde o início.
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Espalhar consciência e afeto é sempre um bom caminho. ♡
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Maria Cecília Fagundes Brasil
-Psicóloga Clinica | CRP 08/37354
-Psicoterapeuta de Mulheres
-Especialista em Psicoterapia Somática | Saúde Integral
-Especialista em Trauma e Estresse Pós-traumático
-Atendimentos Online
Para me conhecer melhor acesse: https://www.ceciliabrasil.com/psicologademulheres
“O corpo guarda memórias que só podem ser libertadas quando encontramos um
espaço de confiança e presença."
(David Boadella)




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